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Barulho sem fim: apesar das leis, população sofre com a poluição sonora

A família da professora Sueli Silva, de 33 anos, colocou o apartamento em que mora à venda. O aposentado Everaldo Magalhães, 75, está a ponto de cometer um ato irracional. A comerciante Amanda Moura, 50, é obrigada a fechar a própria loja antes do horário comercial. Estas três pessoas não se conhecem, mas compartilham entre si um problema que já é considerado por especialistas uma questão de saúde e segurança pública no país. As estatísticas das denúncias relacionadas à poluição sonora só fazem crescer anualmente, evidenciando a produção de um cenário urbano cada vez mais caótico.

Falta de respeito ao sossego alheio está em vários pontos da cidade




















"Não tenho nada a perder, algumas vezes penso em fazer uma loucura", desabafa o aposentado Everaldo, que mora há 40 anos na Tamarineira e que há dez anos passa por transtornos devido à poluição no entorno da sua casa, em "especial, por conta de um bar - no qual "estacionam" os conhecidos carros equipados com aparelhos de som ultrapotentes - e às festas realizadas nos apartamentos que surgiram nos últimos anos. "Esses eventos não têm hora para acontecer nem hora para acabar. Para me defender ligo para a polícia. Se ela não chegar em 40 minutos, ligo quatro sirenes que comprei e as deixo tocando", diz Everaldo.

O Estado e a Capital pernambucana já possuem as leis 12.789/05 e 16.243/96, respectivamente, específicas sobre ruídos, vibrações, proteção do bem-estar e do sossego público. No entanto, tais legislações estão longe de garantir o cumprimento da lei de silêncio e são incapazes de impedir fatos como os que ocorreram na madrugada da última segunda-feira, quando uma pessoa morreu e outras duas ficaram feridas após uma discussão entre vizinhos, por causa de som alto, no município de Jaboatão dos Guararapes.

A falta de respeito ao sossego alheio está em vários pontos da cidade, sendo fácil a constatação numa simples ida ao Centro. O barulho dos motores dos veículos, das obras de manutenção nas vias, da construção civil e dos carrinhos que vendem cd's e dvd's, tornam-se uma mistura ensurdecedora. "A nossa rotina já é muito estressante e fica ainda mais por causa da zoada que é constante e vem de todos os lados", declarou o comerciante Edmilson Gomes, que trabalha no Centro do Recife.

Afastando-se da área central, pensa-se que a situação poderia melhorar. É aí que mora o erro. Nos subúrbios, o barulho continua. Moradores de uma localidade no bairro do Cordeiro, estão reféns de um estabelecimento que de dia é um lava-jato e, nos finais de semana, transforma-se numa "casa de show. Os residentes da casa vizinha tiveram que se mudar porque não aguentaram. "É terrível ter seu direito desrespeitado e ainda ser obrigado a ficar calado", contou uma aposentada de 73 anos que preferiu o anonimato por medo de represálias.


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