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Em caminhada no Recife, Frente de Luta questiona inquérito policial

Caminhada no Recife (Foto: Luna Markman / G1)Integrantes da Frente de Luta pelo Transporte Público em Pernambuco (FLTP) fizeram uma caminhada, na tarde desta terça-feira (19), pelo bairro de Santo Antônio, centro do Recife. A concentração aconteceu no Teatro de Santa Isabel e, por volta das 16h, o grupo deixou o local em direção à sede do Ministério Público de Pernambuco (MPPE) para falar com o procurador-geral de Justiça, Aguinaldo Fenelon. Equipes da Polícia Militar acompanharam a manifestação, registrando tudo com câmeras. Cerca de 25 pessoas participaram do ato.

Segundo Raíssa Bezerra, integrante da FLTP, o grupo questiona a condução dos inquéritos que apuram os protestos realizados na cidade em prol do passe livre. "A gente que saber o que ele [Fenelon] pode fazer em relação aos inquéritos que serão concluídos sobre os manifestantes que participaram dos protestos pelo passe livre. Queremos reverter a possível indiciação de líderes de movimentos, pois serão atribuídas responsabilidades pelos atos", disse. De acordo com Raíssa, os indiciamentos podem ser por corrupção de menores, formação de quadrilha e incêndio.

PM usa câmera para filmar caminhada no Recife (Foto: Luna Markman / G1)PM usa câmera para filmar caminhada (Foto: Luna
Markman/ G1)

A delegada Patrícia Domingues, responsável pelo inquérito, explicou por telefone ao G1 que a investigação não tem prazo para ser concluída. "Ainda estou presidindo a investigação, que é sigilosa. Só posso dizer que estão sendo investigados todos que praticaram algum dano. São mais de 300 pessoas que aparecem nas imagens. Algumas já foram ouvidas na condição de suspeitos. Ainda não há indiciados", pontuou.

Cristiano Vasconcelos, militante do Partido Popular Socialista, disse que já foi prestar depoimento à Polícia Civil. "Primeiro, eu fui chamado para depor sobre o ônibus queimado na Rua do Príncipe, em agosto. Da segunda vez, agora no dia 8 de novembro, fui chamado de novo e a delegada já foi dizendo que eu seria indiciado por formação de quadrilha e por ser mentor intelectual do incêndio. Ela não mostrou prova nenhuma, só fotos mostrando que eu estava no protesto, e ainda estou sem máscara. Vejo isso mais como perseguição política", apontou.

Ao chegar na sede do MPPE, o grupo fechou a Rua do Imperador por poucos minutos. Eles foram informados de que Aguinaldo Fenelon não estava no local, mas uma comissão de seis pessoas foi recebida pelo subprocurador Fernando Barros. "O subprocurador disse que vai solicitar um relatório para saber porque os procedimentos abertos na promotoria de Direitos Humanos, a pedido da FLTP, e na de Transporte Público, estão parados. Ele também disse que vai solicitar à delegada Patrícia Domingues sobre em que pé está o inquérito para que o MPPE e a OAB acompanhem as investigações", explicou o representante da Frente, Pedro Josephi.

Duas pessoas foram detidas para averiguação durante o ato e levadas à delegacia localizada no mesmo bairro onde ocorreu a manifestação. Inicialmente, a polícia havia divulgado que as pessoas seriam levadas para outra delegacia, a de Santo Amaro. De acordo com o capitão Fred Saraiva, da Polícia Militar, a dupla foi esclarecer uma confusão que começou após um deles filmar os policiais com um celular.

"O policial foi contê-lo e ele resistiu inicialmente, quando surgiu a questão do celular, que ele disse que o policial teria levado e o chamou de ladrão", explicou. Saraiva ainda disse que um dos detidos, Igor Calado, universitário de 28 anos, já vinha sendo investigado pela participação em outros protestos realizados neste ano.

Igor Calado, 28, vai resposder TCO por calúnia e desacato. (Foto: Luna Markman/ G1)Igor Calado, 28, vai responder TCO por calúnia e desacato
(Foto: Luna Markman/ G1)

Igor irá responder a um Termo Circunstanciado de Ocorrência (TCO) por calúnia e desacato. Ele ainda vai registrar um Boletim de Ocorrência por denunciação caluniosa, agressão e ameaçã contra os policiais que o abordaram. O outro manifestante que foi à delegacia, um vigilante de 24 anos, prestou depoimento apenas na condição de testemunha.

"Cheguei para a audiência no MPPE e vi um efetivo policial muito grande e tirei duas fotos. Fui abordado por dois policiais pedindo para eu apagar as fotos, perguntei o porquê, se isso estaria errado. De forma truculenta, pediram para que eu me identificasse, me empurraram, olharam minha bolsa e não acharam nada e me mandaram embora", explicou o universitário.

Sobre o fato de um PM estar filmando a manifestação, a assessoria de comunicação da corporação informou que a medida é para suprir a ausência de câmeras de segurança em determinados pontos da cidade.link

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