Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...

Seguidores

Em depoimento, tenente alega legítima defesa

Wesley Sávio, oficial da PM de Pernambuco, assumiu ter matado dois jovens, na quarta-feria, 19, no Cocó, para se defender de um suposto assalto. Vítimas não tinham antecedentes criminais. Polícia investiga o caso

Indiciado pelo duplo homicídio registrado na última quarta-feira, no bairro Cocó, Wesley Sávio de Sá Alves, primeiro-tenente da Polícia Militar de Pernambuco, se apresentou ontem à Polícia Civil. O militar assumiu a autoria do crime, mas alegou legítima defesa. As vítimas, que teriam tentado roubar o carro que Wesley dirigia, foram mortas com sete tiros cada uma. Nenhum dos dois tinha antecedentes criminais. Entretanto, a Polícia Civil cearense afirma que ambos tinham envolvimento com assaltos.


O caso ocorreu por volta das 16 horas, na rua Bento Albuquerque, perto do cruzamento com a Batista de Oliveira. A ação foi gravada por moradores de um condomínio próximo. Segundo a Divisão de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), que investiga as mortes, o tenente voltava da praia com cinco pessoas, entre elas a filha do policial, de nove anos. O grupo teria sido abordado pelos jovens, que estavam numa moto. A dupla, que estaria armada, tentou o assalto.


As vítimas foram identificadas como Auridiano Batista da Silva, 30, e Francisco Antônio do Monte Morais, 28. Um deles residia na comunidade da Rosalina, no bairro Itaperi, e o outro no Jardim Fluminense, no bairro Canindezinho. De acordo com o titular da DHPP, delegado Luiz Carlos Dantas, ambos foram alvejados pelo PM. Um deles teria morrido na hora e o outro, baleado, continuado a atirar. O tenente teria ido até ele, tomado a arma e, em vez de prendê-lo, efetuado novo disparo. O policial ainda recolheu o revólver da dupla e fugiu. No veículo em que estava não foram encontradas marcas de tiros disparados de fora do carro.

 

Versão do tenente

A versão do delegado, com base nas investigações, é a mesma contada pelo tenente, que deu entrevista após a coletiva da Polícia Civil, na tarde de ontem, na sede da DHPP. Wesley afirmou que não perseguiu os jovens, pois já havia sido abordado no local da troca de tiros. "Bateram o cano da arma com muita força no vidro do carro e puxaram o gatilho duas vezes, mas a arma não disparou", contou. Ele disse ter reagido, atirando de dentro do carro com os vidros ainda levantados. "Meu único intuito era proteger minha filha. Não sei nem quantos disparos eu dei", disse. 

 

Wesley disse ainda que não esperou a Polícia chegar porque pretendia retirar a filha do local. "Presenciar tudo isso para ela já está sendo um trauma muito grande. Ela só fazia gritar e chorar. O mínimo que eu podia fazer era sair do local e tirar daquela situação. Posteriormente, liguei pro meu comandante e comuniquei às autoridades", alegou.


Além do tenente, apenas um dos ocupantes do veículo foi autuado por homicídio doloso (quando há intenção de matar). Trata-se do universitário Felipe da Silva Santos, 22. Para os delegados da DHPP, somente ele teve participação ativa no crime. Tanto a pistola do policial, calibre ponto 40, quanto o revólver 38, que teria sido recolhido pelo tenente, foram entregues na delegacia. "Possíveis excessos por parte do policial serão investigados. Vamos avaliar até que ponto ele poderia ter feito as prisões ao invés de atirar", assegurou Dantas.

ver link

0 comentários: